Roteiro: Gavin Hood
Com: Asa Butterfield, Harrison Ford, Ben Kingsley
Após deixar da sessão de ''Ender's Game'' a dúvida que não saia da minha cabeça era, como que um autor como Orson Scott Card, cujo escreveu o livro em que o filme se baseia, ao mesmo tempo que se revela como um idiota assumido, com posições homofóbicas absurdas e sendo um dos maiores porta-vozes do movimento reacionário, consegue, pelo menos é a impressão que fica no final do longa, apresentar questões morais tão interessantes. Gavin Hood comanda essa produção que, se juntando à liga de sci-fi ótimas desse ano (com Star Trek: Into Darkness, Gravity, Pacific Rim, Man of Steel, etc.), se torna uma diversão excelente, mas que ao mesmo tempo, provoca reflexões na mente do espectador. Hood dá um passo para me fazer esquecer do pavoroso e extremamente decepcionante ''X-Men Origins: Wolverine''.
Como qualquer blockbuster que tem o mínimo de respeito ao público, ''O Jogo do Exterminador'' apresenta uma experiência visual fantástica, em que viajamos por vários lugares diferentes e em todos eles nos deslumbramos com o visual. Da mesma maneira que os efeitos visuais, mesmo que apresentando algumas falhas, não deixam de ser extremamente competentes. E me surpreende aqui também, a trilha sonora, ótima na maior parte do tempo, e que ajuda à compor um bom clima durante o filme e principalmente nas cenas de ação.
E para completar os méritos mais ''técnicos'', Asa Burtterfield encabeça de maneira excepcional o elenco, que após se provar um ótimo ator em ''A Invenção de Hugo Cabret'' (de Scorcese), aqui em Ender's Game finalmente se consolida, e mal posso esperar para assistir à seus próximos projetos. Da mesma maneira que Harrison Ford compõe bem um personagem limitado, porém interessante quando analisados seus valores morais que farão diferença no final (surpreendente e inteligente) do filme.
O sci-fi ainda conta com ótimas sequências de ação, mesmo que a maioria se resuma a joguinhos na ''escola'' de Ender, mas que ainda sim são muito bem conduzidas por Gavin Hood. E o roteiro, que ao longo do filme dá vestígios de caminhar para mensagens, apresenta um final que, não só surpreendente, mas moralmente interessante e reflexivo. Mesmo que, após essa revelação, o roteiro continue o filme com uma traminha boba e perca a chance de fazer com que o espectador saia com reflexões em mente após a sessão.
Ainda tendo pequenos cuidados com as cores, que simbolizam principalmente com o figurino e estado de espírito de Ender, ''Ender's Game'' diverti muito, mesmo com os erros. E se os diálogos diretor e estúpidos as vezes incomodam, ao menos o filme trabalha com ideias excelentes. Mal posso esperar pelas próximas aventuras desse excelente e carismático personagem.
NOTA: 8,0